O banheiro como universo particular
Um banheiro é cheio de formas interessantes, reflexos, brilhos, líquidos, objetos de cores e formas diferentes. É um pequeno espaço recheado de coisas atraentes de serem fotografadas, mas que quase sempre ignoramos. Pensando nisso, resolvi recriar um pouco desse espaço para o mundo.
Lembro-me que a ideia de produzir a série “Banheiros” surgiu durante uma aula de fotografia impassível, no curso de fotografia contemporânea que fiz aos sábados pela manhã, em 2013. Ali, quase que sonâmbula em frente ao data show, me deparei com as obras de Rineke Dijkstra, uma fotógrafa holandesa cujo trabalho explora o comportamento humano. Achei demais aquela imensidão de detalhes.
A necessidade de apresentar o ambiente como universo único a partir da figura feminina já era algo que martelava em minha cabeça. Afinal, desde criança o banheiro era meu refúgio durante brigas de família e outros acontecimentos bons ou ruins. Sempre entendi que ali havia um limite de privacidade.
Comecei escolhendo cinco amigas de afinidades e estilos parecidos, e que já tinham uma relação segura com as câmeras para modelar. De início parecia fácil, até ver que os cômodos eram um tanto apertados e quentes para fotografar. Também não foi simples para elas posarem inexpressivas, estilo deadpan photography.
As fotos foram feitas sem nenhum equipamento de iluminação, acreditem, toda a força estava no obturador de uma Canon T3i. O ensaio surgiu numa fase bem corrida da minha vida, não deu tempo de providenciar luz artificial ou flash, e tudo ficou pronto em uma semana. Espero que gostem!
Meus agradecimentos a André França, meu orientador, e às meninas Tiana Torres, Júlia Freitas, Amanda Dantas, Maryna Mirante e Clarice Machado, que são também estrelas da obra.
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